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terça-feira, 6 de abril de 2010

"Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és"



Falar dos livros é falar um pouco de mim, revelar-me de certa forma.
Devo ser bicho!
O livro é tudo para mim.
Dantes passava horas em livrarias ou alfarrabistas a folheá-los. Muitas vezes comprava por intuição, mexer-lhes, tocar-lhes, ler uns trechos. Procurar outro, voltar atrás, pegar nele mais uma vez... era praticamente um ritual.
Outras vezes procurava o livro, influenciada pela crítica literária.
Com o primeiro ordenado, um emprego de Verão, tinha então 14 anos, comprei os meus primeiros livros. Pela primeira vez e aos poucos, edificava a minha biblioteca.

A biblioteca é para mim um espaço sagrado. Representa o individuo e a sua personalidade. Embora tenhamos ainda uma biblioteca por montar em casa, é um lugar reservado, longe de qualquer tipo de olhares.

Aceito dificilmente a banalização do livro.
Devo ser antiquada!
Comprar um jornal e por mais uns tostões, ter um livro dum autor de renome... abomino!
Mas cá em casa, há quem compre. A biblioteca vai-se enchendo de livros que não foram sentidos, amados à nascênça.

Com o passar dos anos, aprendi a não emprestar livros.
Devo ser um monstro!
Por duas razões: ou porque não mos devolviam ou porque os livros são os meus apontamentos. Sublinho, anoto, escrevo.
Os marcadores são bilhetes, postais, facturas, desenhos... qualquer coisa à mão no momento.

Ainda me lembro de dar uma aula de dança cujo tema era o livro. Um projecto que queria na altura desenvolver com pessoas da 3ª idade. E lá trouxe eu o livro. Cheirámo-lo, porque gosto do cheiro deles, abrimo-lo, fechámo-lo, colocámo-lo sobre a cabeça, debaixo dos braços, subimos para cima dele, descançámos ao pé dele.

Depois, aprendi a não entrar mais em livrarias porque desde há 8 anos para cá, não as tenho perto de casa. Tenho sempre uma lista de livros por comprar quando vou à cidade, mas já não é como dantes.
Compro para as minhas filhas lerem.

Há dois meses, num encontro ocasional no Jardim da Estrela, a J. veio para me emprestar 3 livros. Não se pode dizer que nos conhecemos muito bem, mas há certamente uma forte empatia.
Senti-me incomodada, mas o seu gesto foi tão bonito.
Puz-me a olhar para os livros e a reconsiderar a minha pessoa.
Emprestarem-me três livros e ter medo de os estragar.
Emprestar e tentar ver o outro com a sua escolha.
Que experiência extraordinária!
Experiência essa que não é comparável ao livro emprestado da biblioteca.

E mais uma vez olho para mim. É o passo que ainda não consigo dar. O livro é tudo para mim.
Não consigo banalizá-lo. A prenda mais querida que me foi feita recentemente: As Mulheres do meu País de Maria Lamas, por quem sabia que eu poderia apreciar estas leituras.
... e pensar que há algumas editoras que andam a queimar livros por falta de espaço em armazém...
Devo ser danada!

domingo, 14 de março de 2010

"Donne-moi ta langue"





Para combater a ideia crescente duma identidade nacional, uma escola primária de Paris está a levar a cabo um projecto intitulado "Donne-moi ta langue" (dá-me a tua lingua).
Caberá aos pais contar a história do capuchinho vermelho na sua língua materna.
Para ajudar os mais necessitados, uma amiga minha pediu-me para lhe encontrar um livro em português desta mesma história.
Confesso que na livraria não tive grande escolha e acabei por levar a versão de António Rodríguez Almodóvar da editora Kalandraka.
Antes de expedir o livro, tive a feliz supresa de ler uma bonita história onde não faltam expressões idiomáticas que de certeza, os encarregados de educação portugueses terão orgulho em exemplificar.

O projecto, não só visa partilhar as origens tão diferentes uns dos outros, como também valorizar e não renegar, a língua de origem que fora dos pais, dos avôs, na tentativa de que as crianças não a esqueçam e se orgulhem dela.

Uma interessante iniciativa de sensibilização que de igual forma, poderia ser aplicada nas escolas em Portugal.



A verdadeira história do capuchinho
De António Rodríguez Almodóvar
Ilustrações de Marc Taeger
Kalandraka, 2009
www.kalandraka.pt

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

???



As minhas filhas fizeram o meu retrato a três mãos.
Elas vêm-me assim.
E vocês, como me vêm a mim?
O que é que Xuxudidi et plus encore vos sugere?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Andar a caça de





Faz um ano que não voltei a dar as minhas longas caminhadas. Levei um valente susto.
O tiro zumbiou não muito longe de onde me encontrava e percebi que à quinta-feira e ao domingo mais valia não sair.
De casa, ouvem-se tão bem os tiros de caçadeira e pergunto-me o que ainda haverá para caçar. O campo parece tão deserto, mas o roubo das raposas nas nossas capoeiras, é um sinal.
Aquando da nossa estadia em França, durante uma caminhada pela floresta, fomos surpreendidos por caçadores que íam montar uma batida para a caça ao javali e gentilmente, convidaram-nos a dar meia volta.
Senti-me literalmente "caçada"!

E depois houve o Dia de Reis.
O pai dum colega de turma da M. bateu à porta para nos oferecer umas perdizes porque há muito que o pobre do rapaz sonha com a minha receita de "choux à la crème".
Isso é que é andar à caça de ...

Nos anos 30, o bisavô Sebastião ía à caça com outros homens da aldeia. O motivo não era propriamente caçar, mas sobretudo pretexto para grandes rambóias onde toda a gente era convidada.
A caça era sinónimo de grandes festanças populares!
Tudo isso desapereceu!

"Qui va à la chasse perd sa place"!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A importância do voto



Quando escrevi este post, lembrei-me da S., da E. e do A., mas também em todos aqueles que por hábito não votam.
Perante a indiferença ao voto, exprimo-me: quem não está indiferente, passará a palavra e todos nós vamos ganhar com isso. Traz um amigo também.

No Século XIX, depois das guerras liberais só alguns homens podiam votar. Com a implementação da República em 1910, os votos alargaram-se, mas houve uma regressão com o Estado Novo. Para a grande maioria das mulheres, não havia direito de voto.
A "Revolução dos cravos" trouxe-nos o direito completo de voto, por sufrágio universal.
Apesar das vicissitudes e das desilusões da politiquice, apesar de tudo, vale a pena votar, porque é o único momento em que podemos, em Democracia, dar a nossa opinião.
Em nome daqueles que lutaram para que isso fosse possível, devemos cumprir a nossa obrigação cívica, votando.
O voto é livre e secreto!

*A foto representa a capa do disco "Traz um amigo também" do Zeca Afonso. O cartaz do 25 de Abril, foi criado por Dionísio de 13 anos, do Liceu Nacional de Leiria, em 1979.

domingo, 13 de setembro de 2009

O regresso à escola



Entendo a escola como a peça fundamental de todo o sistema social.
É na escola que as crianças e os adolescentes vão efectuar o seu percurso cognitivo. O futuro, bom ou mau, será determinado por este ensino. A meu ver, Portugal continua alheio e distraído deste assunto.
Na escola deve dar-se um ensino de qualidade, livre de qualquer influência política ou religiosa, portanto uma escola laica, pública, gratuita, livre e de iguais direitos para todos.
O recurso ao ensino privado é, infelizmente, um desvirtuamento da gratuitidade e da qualidade do ensino proposto pela República.
O "escândalo comercial" com os livros escolares é obsceno.
Na França e na Bélgica os livros são praticamente gratuitos, acessíveis e utilizados por vários irmãos. Existem bolsas de livros em segunda-mão, onde se podem adquiri-los.
Não se pode andar um ano inteiro, como o ano passado, a desmotivar os professores. Tudo isso se pagará um dia...

Isto vem a propósito do começo das aulas amanhã...

sábado, 1 de agosto de 2009

Fizemo-nos à estrada





Não estava previsto escrever tão cedo um post, mas acho que o nosso mal é permanecermos calados.

Fizemo-nos à estrada.
Numa estrada que parecia não ter fim, percorremos cerca de 900 km em óptimas "auto-estradas".
Foi perto de Burgos que tivemos a nossa única portagem.
Tanto a Espanha como Portugal, receberam subsídios bilionários da União Europeia para as novas estradas.
Em Espanha, as auto-estradas são maioritariamente gratuitas, em Portugal contam-se pelos dedos da mão.
Para o desenvolvimento dum país, as vias de comunicação são fundamentais. Boas e gratuitas, seriam o ideal!

A nossa primeira paragem foi já em França no Midi-Pyrénées.
As portas estavam grande abertas e os abraços amigos calorosos.
Ontem foram mais 600 km para desta vez abraçar a família.
De onde escrevo, como o descreveu a M. no seu diário "aldeia sem carros, carros sem estrada, estrada sem pessoas...".



quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Vale da Velha





Foi palco de paixões, de sonhos, de projectos.
Mas viveu igualmente de discórdias, de partilhas, de abandono. Até hoje.
O Vale da Velha é nome de um lugar. Um belo pedaço de terra. Com vista sobre as serras envolventes.
Seria fácil imaginar a história daquele vale, onde familiares deixaram há muito, rastos de muitos, muitos anos de lavoura.
Os anos foram correndo, as silvas abraçavam a vinha, o olival caprichava com uma folhagem densa, as arvores de fruta envelheciam sem carinho.
Na primavera, o prado tornava-se bucólico com a densidade de cores. A luz era pura, o silêncio convidava ao concerto da natureza.
Mas era no verão, à sombra do carvalho que os amantes se encontravam.
No outono, o vale vestia um tapete de cartuchos deixado por caçadores furtivos.
Ao longo do inverno, o rebanho invadia o mesmo palco, alisando a erva que temia em crescer.
O Vale da Velha deixou de ter estação.
Os sonhos foram-se.
Amo este pedaço de terra no meio do nada.
Quando vejo esta família ou ainda esta, o Vale da Velha devolve-me o sorriso que há muito perdi. E acredito que ainda é bom sonhar em Portugal.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Há manhãs...





Há manhãs tão violentas que destroçam a doçura do sonho, a doçura da noite.
Há manhãs em que a beleza tem contornos menos próprios.
Foi esta manhã.
Num ritual diário pela madrugada, saudando a natureza, descubro horrorizada sete dos oito patos espalhados, mortos pelo jardim fora. Obra duma raposa.
Há olhares que não conseguem ver, olhares que não conseguem apagar da memória a imagem produzida.
E o dia vai já longo...
Foi esta manhã.
O sino da capela também tocou. Para anunciar a morte.
Fosse antes um toque para a celebração da vida.
Foi esta manhã.

domingo, 10 de maio de 2009

Sem dúvida!



Não se deve julgar.
Que o Amor existe... sem dúvida!
Foi ontem, na revista do novo jornal i



(Para ler o excerto do texto "Último Volume" de Miguel Esteves Cardoso basta ampliar a foto).

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Maman XuXudidi



Devagar mas com persitência, devagar mas com muita vontade e paciênça, fui acreditando neste projecto, fruto de muitos sonhos partilhados em família e com amigos.
Maman Xuxudidi nasceu há praticamente dois anos, aquando dum duelo entre um cão e um dragão, aliás cão que à noite se transformava em dragão...
O nome estava feito e os aventais íam-se fazendo para angariar fundos para a escola das meninas, durante as feiras sazonais.
O resto, foi a maturação dos anos que vamos vivendo afastados dos grandes centros urbanos.
Tudo um pouco ajudou, a região, a terra, o cheiro, a gente, a nossa casa, a minha família.
Hoje abro-vos uma porta do pequeno universo Maman XuXudidi. No meu estendal, muitas histórias ainda surgirão e vincarão o que agora se inicia.
É a mais bonita prenda que posso receber no dia do meu aniversário.
Bem hajam aos numerosos leitores, aos meus amigos, em particular à Catarina e Carolina, porque sem elas nada desta história agora contada existiria.
Bem hajam ao Papa Filou e sobretudo às minhas filhas maravilhosas.

Disse,


Slowly but steadily, slowly but passionately and patiently, I kept believing in this project, the result of many family and friend-shared dreams.
The Maman Xuxudidi project was born two years ago, by the time we had a duel between a dog and a dragon, rather, we had a dog which became a dragon by night...
We eventually got ourselves a name and the aprons kept being made, so as to raise funds for the girls' school, during seasonal fairs. The rest came as the years went by, lived away from the big towns. Everything was somehow helpful, the region, the soil, the smell, the people, our house, my relatives. Today I lead you into the universe of Maman XuXudidi. Many stories are yet to be told and will reinforce what we are now starting.
This is the greatest gift on my birthday.
I thank all my readers and friends, Catarina and Carolina in particular, for without them little of this here told story would come to be.
Likewise, I'm most grateful to Papa Filou and my wonderful daughters, more than anyone else.

Maman Xuxudidi wrote.


Lentement mais avec autant de persistance, lentement mais avec beaucoup de volonté et de patience, j’ai cru en ce projet, fruit de plein de rêves partagés en famille et avec les amis.
Maman Xuxudidi est née il y a pratiquement deux ans, lors d’un duel entre un chien et un dragon…
Le nom fut crée et les tabliers se faisaient pour obtenir des fonds pour la petite école des enfants lors des kermesses.
Le reste, c’est la maturation du temps éloigné des grands centres urbains.
Un peu de tout y a aidé, la région, la terre, les odeurs, les gens, notre maison, ma famille.
Aujourd’hui je vous ouvre une porte dans le petit univers Maman XuXudidi. Sur ma corde à linge, beaucoup d’histoires paraîtront et marqueront à l’avenir ce qui s’entame à présent.
C’est le plus beau cadeau que je puisse recevoir pour mon anniversaire.
Merci aux nombreux lecteurs, à mes amis, surtout à Catarina et Carolina parce que sans elles cette histoire n’aurait jamais vu le jour.
Merci à Papa Filou et surtout à mes merveilleuses filles.

J’ai dit,

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Escandalosos Azulejos"





Fomos à Feira da Ladra.
Muitos turistas e não só...
Compram muitos azulejos portugueses a preços proíbitivos. A maior parte são escandalosamente roubados.
Ninguém intervem?
... provavelmente porque o roubo e a corrupção estão impunemente institucionalizados no panoráma português, apesar de alguns tentarem remendar e repor os azulejos roubados das fachadas!!!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Olhar





Olho para ela.
Gosto de olhar para ela, para estes pequenos gestos que fazem parte do seu quotidiano, para os pequenos pormenores que mobilam a sua vida.
Olho para ela e inspiro-me. São coisas simples que vão ganhando maturidade.
Espaço de reflexões.

domingo, 15 de março de 2009



E tu?
Et toi?
And you?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Eu sei



É a pergunta que mais fiz em toda a minha vida.
É a pergunta que ouço ao menos duas vezes por dia.
Nem sempre encontro respostas.
Porquê Maman?

E da pergunta, nasce cada dia com mais certezas esta afirmação: eu sei.
E eu continuo sem saber.
Porquê?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Rádio

A rádio

Tudo se torna tão longe e distante.
A feira é o marco do passado recente, onde sobretudo conheci pessoas encantadoras que sem querer, deram um outro ânimo à baixa das vendas.

Ligo o rádio maquinalmente.
Lá fora não se ouve praticamente nada. Apanho as emissoras nacionais, outras locais. Queria ouvir aquelas que durante três dias me encheram de saber, tanto a nivel nacional como internacional.

Tudo se torna tão longe e distante.
Sou informada dos engarrafamentos, das IC's, das A's e outras tantas... dos accidentes ali e além.

Pela janela, vejo o tractor passar, a carrinha do peixe parar e buzinar para chamar freguês.
E passa o pastor com o seu rebanho de ovelhas.

Liguei o rádio para me sentir mais próxima daquilo que me distancia.

...

Partilhar coisas como Les Happy Vintage.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A romã

A romã

Olho para a romã, tão redonda como o Universo e ponho-me a reflectir, a imaginar...

A romã: o Universal compartilhado.

Observo os compartimentos interiores como as nações, os continentes, as nacionalidades, as raças, os sexos, as religiões.
Penso no grão, a individualidade de cada um de nós.
Todos unidos, todos juntinhos, a unidade na diversidade do Universo.
O respeito pela diversidade Universal.
Na tolerância, o progresso da Humanidade.

Hoje, são as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América.
É um compartimento dentro da romã.

A romã, redonda como o Universo.

domingo, 24 de agosto de 2008

Nem tudo é branco nem tudo é preto



Na vida, "nem tudo é branco nem tudo é preto". Pessoalmente, defendo o respeito pela opinião de cada um, o que não significa que esteja de acordo com tudo o que seja expresso. Assim, penso que devemos ter uma abertura de pensamento para com outras culturas, não abdicando todavia duma análise livre examinista, rejeitando juízos apressados e simplistas.
Vem isto a propósito dum comentário relativamente à minha "tête de nègre" do passado dia 22, duma Senhora america (EUA). Os Estados Unidos da América têm a sua história, rica e pobre como todos nós, mas na qual espoliaram e dizimaram populações indias; a abolição da escravatura engendrou uma guerra civil; a população negra de origem africana, descente dos antigos escravos, não tinha direitos civicos, predominava a segregação racial nos transportes públicos, nas escolas... até há bem pouco tempo. (recorde-se Kennedy e Martin Luther King, ambos assassinados). Ainda hoje se ouve (desagradavelmente) na televisão um branco do Sul dizer que não vota em Obama simplesmente por ser ... negro e inferior. Ainda hoje existe a pena de morte em muitos Estados. Felizmente que muitos americanos não pensam assim ... mas isto são os Estados Unidos da América.

Por outro lado, na Europa Ocidental e concretamente em Portugal, aboliu-se a escravatura e a pena de morte na segunda metade do século XIX, o que não provocou nenhuma guerra civil. Em Portugal, no Brasil, Angola, Timor, Macau, Goa, etc. existem inúmeras familias euro-afro-asiáticas, há muitos séculos. Isto não siginifica que Portugal seja uma sociedade ideal. Também temos os nossos defeitos, como todos. Portanto, "nem tudo é branco nem tudo é preto".

A pega para os bules, denominada "tête de nègre" tem a sua origem no Magrebe (Norte de África - Marrocos), portanto não tem sentido apelidar-se de racista algo que vem da própria Àfrica, concebido pelos próprios africanos. Quando abordamos a incomensuravel arte africana ou euro-africana, nunca se levantou qualquer questão de racismo. Essa senhora americana deveria ler, entre milhares de tantos outros excelentes autores, os textos sobre a negritude de Léopold Senghor, Amilcar Cabal, Mandela ou Gandhi. Penso sincera e convictamente que nos devemos todos respeitar uns aos outros, independentemente das nossas culturas, nacionalidades, religiões, sexo, origens sociais ou étnicas, dentro dum espírito de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A nossa abertura a outras culturas, viajando por esse mundo fora, leva-nos a ser cada vez mais cidadãos do Mundo, mais Humanistas, o que não nos impede de respeitar a nossa própria cultura e a sua "praxis".