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domingo, 30 de maio de 2010

Estes dias





Entre as visitas de amigos que se cruzam, as compotas de morangos que têm de ser feitas, porque á a altura delas e que as quantidades são muitas, pouco sobre para outras coisas.
Numa visita guiada à povoação, cruzei-me com Dona Ilda. Com roupa velha está a fazer um tapete com a agulha do crochet. Encomendei-lhe um com a minha roupa velha de casa.
Aqui está uma outra maneira de reciclar roupa usada.





quinta-feira, 13 de maio de 2010

O dia da Espiga







Não se ouve um tractor, nem o sachar da terra. Ninguém trabalha! O Toino foi pastar as ovelhas e confirma dizendo-me "quinta-feira de Ascenção, se os pássaros soubessem, nem comiam, nem bebiam, nem punham os pés no chão"!
Fomos apanhar o nosso ramo de Espigas.
Leva um pouco de tudo porque o entusiasmo foi crescendo, mas tem a espiga, a papoila, o ramo da oliveira e acresentou-se pampilros e sinetas como elas lhes chamam.
Guardámos o papo seco num lenço e será esquecido durante um ano dentro duma gaveta. Este pão não foi abençoado, mas pode ser que seja tão fresco como hoje, segundo a tradição.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Na oficina do Sr. Lúcio









Na difícil arte de escolher um chão de mosaicos hidráulicos, na oficina do provavelmente último artesão em Portugal, empenhado em restaurar os mosaicos hidráulicos do Palácio de Estoi no Algarve, do Liceu Passos Manuel e outros mais...



Fábrica de Mosaicos
Lúcio de Oliveira Zagalo
Zona Industrial
7100-147 Estremoz
Tel: 268 322 488

terça-feira, 27 de abril de 2010

A vassoura de milho







No dia em que viemos definitivamente morar para a nossa casa, uma vizinha ofereceu-nos uma vassoura de milho.
Recordo-me receber a vassoura nas mãos, tão espantada pela simplicidade e beleza do objecto e do gesto.
Não voltei a ver igual à minha.
As ramas foram atadas com arame, mas soube agora, passado tantos anos, que há ainda quem as faça, amarrando com vime, após ter ripado e seco a palha para as vender no Porto.
Consegui um bom punhado de milho bravo da família do sorgo (sorghum).
Foram agora semeadas. E quem sabe, talvez venha a ter uma nova vassoura para o próximo Inverno!

...

Enquanto não tricotar os respectivos pares, vou andar assim!

quarta-feira, 10 de março de 2010

O ferrador





É uma profissão de desgaste e há cada vez menos ferradores. É uma arte que tem vindo a perder adeptos.
Percorre o país de lés a lés.
Esteve cá hoje e voltará dentro dum mês. O casco do cavalo cresce em permanência e precisa de ser aparado.













E se o ferrador levou muitos coices ao longo da sua carreira, hoje a J. ficou com a marca da ferradura no pé. Coitadinha!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Palheiras





É uma imensa lage, um maciço granítico muito perto de casa onde outrora se fazia a malha, a debulha e secagem dos cereais.
Cultivava-se a aveia, o centeio, a cevada, o milho, o trigo e o linho.
As palheiras, um verdadeiro monumento vivo, permetiam a conservação dos produtos derivados como o feno, as palhas e folhelhos de milho.
Com o pó do milho enchiam-se as almofadas e todos anos eram descosidas para encher de novo como esta almofada que a Natália me mostrou de manhã.



Ao almoço, um esparregado de grelos de nabos, uma variante da receita já publicada aqui.
Um pequeno filme do Tiago Pereira, feito mais à norte e que sabe bem ver e rever.





Bom fim-de-semana!

domingo, 31 de janeiro de 2010

O alfaiate







É o alfaiate de Meruge que vem às casas, como há 50 anos atrás, vinham os seus antepassados.
Dantes costumavam passar nas aldeias de carroça, hoje vem de carrinha com encomendas feitas.
Ele passa por cá aos domingos, como durante a semana também passa o padeiro, o peixeiro e o talhante.
Bateu à porta, com a fita ao pescoço, porque vem cá para fazer um capote alentejano e umas calças de surrobeco, tradicionais dos pastores.
E assim estes alfaiates foram vestindos as pessoas da terra de geração em geração, desde tempos imemoriais.

domingo, 19 de julho de 2009

Pormenores populares

Uma tarde de danças e trajes populares.
São os detalhes que me fazem ir além na minha procura.

















quarta-feira, 24 de junho de 2009

Não foi por maldição mas é a tradição



É no meio das giestas que fomos apanhar o rosmaninho e a margaça. A marcela é muito mais difícil de encontrar porque, por onde andou o fogo, ela não volta a crescer.
As tarefas em casa ficaram assim divididas, naturalmente ao sabor dum verão que agora começou.
A C. preferiu ficar na cozinha e surpreender a família, confeccionando em segredo o seu primeiro jantar. Pegou num livro de receitas mas a capa deu-lhe algumas ideias. Nasceu uma salada muito original, saborosa e bastante decorativa.



Os vizinhos juntaram-se à volta da pequena fogueira, queimando os ramos secos e odorantes da colheita da manhã. Desafiando o fumo, as crianças e os menos novos, entoaram quadras populares.

S. João, S. João
nos livre do pulgão.
S. João, S. João,
nos dê um bocado de pão.

S. João, S. Pedro e S. Lucas,
que 3 filhos da p...

S. Pedro, S. Pedro,
nos livre deste bruxedo.
S. Pedro, S. Pedro,
nos livre do pulguedo.




Na aldeia vizinha os rapazes juntaram durante a noite todos os vasos de flores no adro da capela.

Não foi por maldição, foi por tradição.
Que viva o S. João!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

As Maias



Depois das mimosas, das giestas brancas, as giestas amarelas inundam a nossa paisagem.
Sinal de terras autrora cultivadas, hoje abandonadas, a paisagem convida o poeta a clamar poemas.

E apesar da desertificação, a tradição das Maias mantem-se muito viva.
Ao cair do dia, ainda fomos apanhar um braçado delas para colocá-las à porta das casas, como costume da nossa terra.

As Maias significam abundância para o próximo ano e o afastamento do carrapato, símbolo do mau-olhar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Feliz Páscoa





Vai fazer uma semana que deixámos o Vale do Lima, trazando connosco o Palmito usado no Domingo de Ramos.
É feito a partir das mais tenras folhas da palmeira, o seu perfume lembra-me o feno ao sol nos dias quentes do Verão.
O palmito de ramos anuncia também que a Páscoa está à porta e com a Páscoa, o nosso pão-de-ló.
Não acreditando nós, na tradição cristã da Páscoa, nomeadamente na resurreição de Cristo, mas partilhamos todas estas manifestações da arte popular sejam elas culinárias ou artísticas.