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segunda-feira, 3 de maio de 2010

O melhor para ela





Em véperas de provas de aferição em que as irmãs estão brindadas este ano, penso na J. porque para o ano, será a vez dela.

Ela fez imensos progressos e mesmo se está mais que confirmada a dislexia, continuo a achar que teve muita sorte em estar integrada numa pequena escola com um número reduzido de alunos na turma dela. Pergunto-me muitas vezes, o que seria dela numa escola dentro da cidade, com mais de 20 alunos por turma!
É uma pena que não haja perto de casa o Movimento da Escola Moderna. Seria sem dúvida o mais adequado para ela. Vale a pena seguir esta reportagem que ilustra as diferenças entre 3 modelos de ensino em Portugal.

Não vou desistir do projecto, de num dia próximo, abandonar a medicação. A Zélia ofereceu-me estas duas esferas feitas em crochet. Redescobri os benefícios de massajar o corpo duma criança e o poder de relaxar, acalmar e concentrar.



Ando à procura dum livro para ela, porque como qualquer criança disléxica ela tem relutância em querer ler o que atrasa a sua aprendizagem.
Teria de ser um livro muito apelativo ao nível da escrita em que uma palavra puxaria outra palavra e sem se dar conta, já estaria envolta na história.
Sugestões são bem vindas!

domingo, 15 de novembro de 2009

Feira da Golegã









Por vontade de toda a família haveria cavalos em casa. Só respondo "sim", desde que ganhasse a taluda. Assím teríamos não só os cavalos como alguém para tratar deles.
Reconheço as vantagens de tratar e montar um cavalo e para a J. seria uma excelente terapia. É pena em Portugal, haver muito pouca documentação sobre a hipoterapia ou a equoterapia, mas gostei do que li aqui.

Este ano, demos outras oportunidades à Feira do S. Martinho que a nossa pequena escola costumava organizar. Deixei o meu contributo seguindo as instruções da Constança, realizando assim três sacos para guardar outros tantos.





Ontem fomos a Golegã e de dia, para elas poderem apreciar este ambiente único da feira do cavalo. E adoraram!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A silabinha







Foi um ano lectivo "sans relâche" para superar as dificuldades da J.
O ano passado, quando entrou no 1º ano do 1º ciclo, rapidamente nos demos conta que algo se passava e contra ventos e marés, a J. acabou o ano lectivo desfeita, deprimida, atrasada na aprendizagem da leitura e da escrita.
Descobríamos com ela a hiperactividade.





Uma nova escola, uma nova professora, novos colegas também e aos poucos, ela foi falando dela, das suas diferenças.
Tudo ajudou um pouco; o amor, o carinho e o apoio constante das irmãs, da família, da pequena comunidade que a aceitou e a integrou e sobretudo da professora, da equipa técnica e médica que ao longo do ano, todas as semanas com muita persistência demonstraram que é realmente possível desenvolver um trabalho de elevada qualidade em prol da sua recuperação.

Orgulhosa, vai entrar para o 3º ano. O novo ano espera-a, na mesma escola, com os mesmos colegas, com o mesmo apoio e uma nova professora.
Este ano também lhe foi confirmada a dislexia e com a professora, ela descobriu a silabinha.







Hoje acabei o par de meias que ao longo de praticamente todas as quintas-feiras fui tricotando nas salas de espera, como também estas todas.
Estas meias vão para o avô que hoje faz anos, mas antes de mandá-las pelo correio a J. fez questão de me contar uma história: Era uma vez a Mamã que ia fazer com uma meia perdida... uma silabinha"



JOY-EUX A-NNI-VER-SAI-RE GRAND PÈRE!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Flash-back







Andavamos todos na mesma escola, foram anos giros, um tanto louco onde tu David, participaste do meu capricho neste concurso de fotografia "A Flora do Parque de Serralves". Estavamos em Setembro de 1996.

Hoje com a J. nas nossas idas semanais a Coimbra, fomos passear no Jardim Botânico. Para ela, é tão importante brincar, correr, trepar...
É tão bom redescobrir a felicidade neste rosto!

A fotografia a preto e branco é da autoria do David Clifford.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Todas as Quintas-Feiras!




Olho pelos animais todos e penso nos verdadeiros troféus que a J. nos habitou a trazer para a casa, todas as quintas-feiras.
Uns perderam-se, outros já estão partidos, salvam-se alguns e hoje sorrio.

No princípio do ano lectivo anterior, quando entrou para o 1º ano, vimos rapidamente (bastaram os dois primeiros meses) uma menina, tal uma bonita flor, a murchar. Ela não se adaptava e apesar de registar a informação dada, era incapaz de se concentrar mais de 10 minutos.
Da menina sempre tão alegre, sempre com tanta energia, vimos uma depressão instalar-se.
Foi rejeitada pela pequena comunidade e não fiz uma amiga.
No princípio deste ano, acabou por ser seguida pela psicóloga, seguida da terapeuta da fala, para mais tarde (faltava um mês para o fim das aulas) ser vista pela pedo-psiquiatra e ser medicada.
Além de recomandar a mudança de escola para este novo ano lectivo, foi (e ainda é) intensamente seguida por uma pedagoga.
Uma grande dose de cavalo, mas foi em princípio de Agosto que voltamos a reencontrar uma menina com o seu grande sorriso e com o seu pleno de energia.

Mudou de escola.
Ela quer ir para a escola!

Continua medicada, e todas as quintas-feiras, entre outras consultas, vai a terapeuta da fala.
Estes troféus são tão importantes como colocar de novo a auto-estima da J. para cima.

Quanto a mim, confesso que as viagens são muito cansativas. Percorro 80km para là, 80km para cá, numa estrada (IP3) que considero muito perigosa e requer muita atenção.
Quando estou nas salas de espera, sou incapaz de ler. A mente está dispersa e revivo o filme da viagem.
Encontrei no tricot, a solução ideal para estas longas esperas.
E embora eu esteja sempre a recomeçar a minha meia, porque de facto tenho um pequeno problema linguístico, e nem tudo vem no diccionário, encontrei uma forma de canalizar o stress, as preocupações e abstrair-me do espaço onde tenho de estar, a espera de poder levar a J. de volta para a casa.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

"Ma Poupée"

*
O coração de mãe sofre por vezes. Sofre sim, porque te vejo sofrer.
Porque és uma menina um pouco diferente, com muita energia, sempre em movimento e muito alegre. Eles chamam a isso hiperactividade.
O problema surgiu na escola e tu não conseguiste te adaptar. Encontraste o outro lado do espelho e a minha menina murchou.
E ontem foi assim ao regressarmos de Coimbra: falei com as tuas irmãs e expliquei que tinhas muitas gavetas pequenas desarrumadas na tua cabeça (como o teu quarto), mas que agora ias tomar uma medicação que te ajudará a arruma-las.
Tal como tu, a boneca que foi da Mutti e que durou um dia nos teus braços, precisava de ir ao hospital. Isso, quando formos a Lisboa!

Le coeur d'une maman souffre parfois, il souffre de te voir souffrir.
Parce que tu es une petite fille un peu différente, avec beaucoup d'énergie, toujours en mouvement et très joyeuse. Ils appellent cela de l'hyperactivité.
Le problème a surgit à l'école et tu n'as pas réussi à t'adapter. Tu as rencontré l'autre côté du miroir et ma petite fille s'est éteinte petit à petit.
Et hier ce fut ainsi au retour de Coimbra: j'ai parlé avec tes soeurs et je leur ai expliquées que tu as plein de petits tiroirs à ranger dans ta tête (un peu comme le désordre dans ta chambre)mais que maintenant tu vas prendre une médication qui t'aidera à y mettre de l'ordre.
Et tout comme toi, la poupée qui fut de Mutti et qui n'a durée qu'une journée dans tes bras, a bien besoin d'aller à l'hôpital. Mais ça, c'est lorsque nous irons à Lisbonne!