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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Destes dias





Não se consegue por o pé cá fora, tanto é a violência do vento, da chuva e do granizo.
Em casa, a electricidade cai 20 vezes ao dia e já lá vão mais de dois dias, tudo por causa das fortes trovoadas.
Estou colada à janela para ter melhor luz e acabar de alcochoar uma manta.
Ontem, fiz esta saia num tecido africano comprado no bairro Matongé de Bruxelas. Acabo de descobrir que este batik foi feito na China mais exactamente aqui.
Sonhava com um pouco do calor de Àfrica, acordo com uma outra realidade!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A "garota" da Natália







Se não fosse a bonita claridade da manhã;
Se não fosse o passeio a pé para levar a C. à escola;
Se não fosse no regresso, a porta entreaberta da casa da Natália;
Se eu não fosse persitente, chamando por ela, nunca teria visto as lindas mantas e almofadas de retalhos que um dia e já lá vão os anos, a "garota" dela fiz.
Com os restos de roupas velhas, vestidos e camisas, juntou-os sem nunca ter aprendido o ofício!



domingo, 31 de janeiro de 2010

O alfaiate







É o alfaiate de Meruge que vem às casas, como há 50 anos atrás, vinham os seus antepassados.
Dantes costumavam passar nas aldeias de carroça, hoje vem de carrinha com encomendas feitas.
Ele passa por cá aos domingos, como durante a semana também passa o padeiro, o peixeiro e o talhante.
Bateu à porta, com a fita ao pescoço, porque vem cá para fazer um capote alentejano e umas calças de surrobeco, tradicionais dos pastores.
E assim estes alfaiates foram vestindos as pessoas da terra de geração em geração, desde tempos imemoriais.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dia chuvoso... no Porto!







Fui ao encontro do que o Porto tinha de melhor para me oferecer neste dia chuvoso.
Dei de caras com A Vida Portuguesa, num lindo edifício que outrora albergava textéis.
Fui ao encontro da Lopo Xavier, da Ovelha Negra mas foi no Armazém dos Linhos que tive uma conversa muito interessante sobre chitas e as suas origens, enquanto comprava linho puro. Conversa essa que teve de ser interrompida para um delicioso e requintado almoço na excelente companhia da Fernanda.
Não fosse a chuva, o Porto teria tanto para ser fotografado.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Tecidos de outros tempos





É em Isle sur la Sorgue que encontrei uma magnífica colecção de tecidos antigos, na habitual feira de velharias e antiguidades que abre as suas portas todos os fins-de-semana ao longo de todo o ano.
Tudo se vende!







Desde monogramas bordados à mão, passando por antigos cortinados do sec. XVIII, ...linhos, algodões, sedas... é um mundo onde cada peça vende-se ao centímetro, muitas das vezes a preço exorbitante.
Um pouco de todo o tipo de clientela aparece: os decoradores, os designers à procura de motivos, tons para futuras reproduções, estilistas ou pessoas como eu que gostam de juntar pedaços, guardando os retalhos para mais tarde fazer uso deles.
Estes patchworks feitos pela minha mãe são uns dos exemplos da reutilização de tecidos muito antigos mas há muitos outros exemplos como a Liane que sigo de muito perto e esta interessante reportagem.



Deixo aqui e aqui duas retrosarias à antiga onde pode encontrar, fitas, botões tecidos... tanta coisa de outras épocas. É só escolher!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Para o Jardim da Estrela





Venho da Serra da Estrela e vou para o Jardim da Estrela.
É a minha primeira feira-exposição em Lisboa.
Quiz dedicar e homenagear algo de tão português como os lanifícios de lã, originários destas serras, da Covilhã a Seia e que estão em vias de extinção nomeadamente estes tecidos "tipo" escoceses de Castanheira de Pêra, cujo último reduto se encontra na Casa dos Escoceses da Nazaré. A minha inspiração, baseada nestes tecidos, levou-me a criar esta manta.
Quem quizer vê-la e conhecer os meus trabalhos, estarei este fim-de-semana (5 e 6 de Dezembro) no Jardim da Estrela.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Novembro





Novembro é o nome deste bonito avental que fiz em ponto cruz e não só, pensando nas árvores despidas, nas paisagens silenciosas, próprias deste mês. Novembro é aquela casa que ainda há um ano atrás tinha vida e hoje sei que a lareira nunca mais voltará a acender-se.
Novembro, também em côr de rosa para apertar à cintura como o doce que aconchega a criança.
Disponível aqui.



Novembro... é hoje o último dia do mês de Novembro.
Vou-me fazer à estrada, fazer à vez do carteiro para entregar pessoalmente esta encomenda.
A M. deu-lhe um nome, "almofada gaspacho". É feita em patchwork com lã escocesa comprada aqui e mede cerca de 75 x 75 cm.
Até já!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Da Nazaré





Este Inverno não vou mandar fazer umas ceroulas como nos anos anteriores. Comprei poucos metros de fazenda com umas ideias em mente para confeccionar alguma coisa para elas.
Na Loja dos Escoceses da Nazaré comprei também retalhos para fazer uma almofada de chão. Já ouvi alguém dizer "mal empregado!", mas na verdade, queria explorar novas técnicas de patchwork que ao meu ver não resultou muito bem porque o tecido é de alguma forma espesso. Mas gostei do resultado e acredito que uma manta com tecidos de lã escocês, pode ficar muito bonita ( ♥ em patchwork, ♥ na confecção).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Charisma





Descobri, há praticamente um ano, a muito bonita colecção Charisma da Moda Fabrics. Fiz uma manta, alguns taleigos como este, este e aquele, como este avental, disponível aqui.
Gostava tanto dos tons, dos motivos, da diversidade na própria colecção que era para mim um prazer conjugar os tecidos. Sobraram pequenos retalhos que comecei a coleccionar quando, em Agosto, descobri um armazém nos arredores da bonita cidade de Avignon. Um espaço muito grande onde estão expostas colecções de tecidos para todos os fins. Um espaço impressionante, onde também não falta uma secção de algodões para patchwork.
Fiquei maravilhada ao encontrar metros e mais metros da colecção Charisma.

Acabei de fazer estes dois taleigos, são forrados com tecido da mesma colecção, taleigos com o forro amovível.
Tissus Grégoire, tem uma loja aqui. Infelizmente não lhes
é possível publicar os mais de 15000 artigos disponíveis. De qualquer forma, é possível fotografar um tecido e envia-lo aqui. E quem sabe, talvez tenham.



Os taleigos estarão em breve disponíveis na loja.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Descobrindo Shanghai





Os dias e as semanas passaram a um ritmo alucinante. A "memória" do dia 4 de Junho obrigou o governo a dificultar os acessos à net, uns dias antes da data e na semana que se lhe seguiu, por isso, não consegui dar notícias.
O que vou deixar aqui são as impressões duma curta estadia num país que vale a pena um dia conhecer.

A C. e eu deixámos para trás tantos sorrisos que nos acolheram, tantas fotos em que os chineses fizeram questão de tirar. Os nossos grandes olhos de europeus foram o maior fascínio.



Tentámos penetrar a cidade, visitando os seus museus, caminhando pelas avenidas infinitas, correndo atrás do metropolitano, mergulhando na poesia dos seus jardins, conscientes que há muito mais para ver.
Uma escapadela em Hangzhou permitiu-nos entrever o céu azul que tanto faz falta a Shanghai.





Tive muitas dificuldades em encontrar algodões tradicionais, não obstante os mercados de tecidos, mas a grande maioria dos chineses têm os olhos postos no futuro. Fazem de nós um povo ainda muito mais pequeno porque a China sendo um país imenso, com imensa gente, absorve com uma velocidade estonteante as novas tecnologias.



Há lugares que vou deixar com saudades. A primeira é sem dúvida a loja da Mina Hu. A simplicidade com a qual me recebeu, num espaço que se quer antes de tudo o coração vivo duma China rural e étnica, contrasta com Shanghai. Foi neste ambiente que descobri tecidos tingidos com folhas da Indigofera e o seu processo de fabrico está amplamente ilustrado num lindo álbum fotográfico.
O segundo lugar prende-se mais com a minha pessoa e com os locais onde eu cresci. Red Town onde me identifiquei muito é o exemplo do reaproveitamento de espaços fabrís reconvertidos em galerias de arte, escritórios, ateliers de pintura, espaços de creatividade na àrea do design industrial ou outros, em corredores onde se multiplicam as esculturas em cada esquina. Lá fora, o espaço verde envolvente é mais uma vez o prolongamento do que estes espaços encerram. A C. e eu vimos a exposição do Alberto Corazón rivalizando com outras galerias de artistas chineses.



Mas para a C. os lugares que mais a marcaram e para citar só dois, foram o Shanghai Ocean Aquarium com os seus 155 metros de tuneis debaixo de água, deixando-nos guiar por um tapete rolante, o que lhe permitiu ver de muito perto a barriga do tubarão ou ainda a foca que durante largos segundos lhe deu uns beijinhos através do vidro.
Teria sido uma grande lacuna se ao deixar Shanghai não tivéssemos ido à loja da barbie. Sobre 6 andares numa das elegantes avenidas da cidade, a C. maravilhou-se com este mundo. Neste espaço, há roupas, SPA, cabeleireiro, passarelas, sessão fotográfica para barbies da idade dela. Também há barbies em ponto pequeno, mas o melhor ainda será espreitar aqui.





Tanto para a C. como para mim, o nosso melhor refúgio foi o jardim. É o espaço de lazer, de descanço, de reflexão, de encontros. Foi nesse lugar que descobrimos o som do pássaro, abstraíndo o som da urbe. É impressionante quando entramos num jardim, descobrirmos o silêncio da cidade.





Shanghai está em obras. Uma obra é sinónimo de progresso. Daqui a um ano, Shanghai será palco da Exposição Universal 2010. O pequeno Hai Bao (que significa pequena onda) é anunciado em toda a parte, em todos os lugares. Será a oportunidade para muitos conhecerem esta cidade que hoje alberga 18 milhões de habitantes.

Por último, quero agradecer aos meus amigos a possibilidade que nos deram de poder fazer esta magnífica viagem. Sem esse convite, não teríamos a possibilidade de entrar na China. Sem eles, nada teria sido possível.
Apercebi-me que a informação sobre a China muitas das vezes nos vem deturpada por ambos os lados, mas Peter Hessler escreveu um livro, uma referência marcante cujo o título China, convido à leitura, para melhor compreensão deste imenso país com um povo, uma cultura, uma civilização, que temos todo o interesse em conhecer, compreender e respeitar.





Bem hajas à C., ao Z. e ao S.

...

Partilhar entre tantos outros lugares de Shanghai o famoso e muito bonito restaurante Shintori com uma cozinha "Fusão".

Da cabeça aos pés, falo sobretudo dos sapatos na Suzhou Cobblers. Lindos!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os tecidos



O quilt representa a sinopse dos 4 workshops da Rita.
Descobri que o tecido é o elemento motor no meu trabalho, para além do esquema escolhido.
Descobri que há tecidos com os quais não consigo trabalhar. Uma birra à volta das cores berrantes impediram-me ir mais além na criatividade. Senti-me frustrada.
Retomando os tecidos em amostra, consegui acabar o patchwork a tempo de o alcochoar à maquina.
Não restam dúvidas, o trabalho não é o mesmo e continuo a achar que uma manta alcochoada à mão, tem muito mais encanto.



O "capricho" à volta do tecido foi reflexão de fim-de-semana.
Acho tão importante ver e apalpar o tecido. Há lojas on-line, fiéis na tonalidade dos seus tecidos, outros nem tanto. É por isso que muitas das vezes hesito na compra de alguns.

Gosto de entrar em retrosarias de outros tempos, para encontrar tecidos antigos como a pequena descoberta do Opal (espécie de tecido em algodão). Não sei praticamente nada sobre este tecido, mas adorava saber mais, adorava encontrar mais uns metros!

Gosto também de ver os ventos mudarem e cruzar-me com tecidos como os do Kaffe Fassett a encher o canto de uma prateleira, assim aconteceu em Viseu, na retrosaria do Sr. Manuel.
Uma nova aposta nos tecidos de algodão, "um tiro no escuro" como diz ele.
O Sr. Manuel nunca tinha ouvido falar em patchwork ou quilting. Louvo a iniciativa, porque sem saber, ele devolveu-me um sorriso a este comercio de rua onde já só ia comprar as linhas.



Mavimodas
Rua da Paz, 4
3500-168 Viseu
Tel: 232 437 795

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nazaré

As ceroulas

Sou grande.
E desde que vivo em Portugal foi sempre um bicho de sete cabeças para encontrar calças que chegassem até aos tornozelos.
Verdade seja dita, nunca precisei de fazer baínhas!

Regularmente, de dois em dois anos e desde há tanto tempo, vou até à Nazaré.
Sempre de Inverno, quando faz bom circular livremente sem congestionamente nas ruas sinuosas da cidade, que de resto, mal conheço.
Acabo por ir sempre ao mesmo lugar, à "Casa dos Escoceses" onde perco o tempo na escolha do novo padrão de lã escocesa para a confecção das ceroulas.
Eram as ceroulas que os pescadores da Nazaré utilizavam para pescar.
Quentes e confortavéis, rendi-me!

As ceroulas

Há uma semana recebi-as juntamente com a camisa que eles utilizavam e que vou usar com uma gola alta por baixo.

A camisa

Na occasião da ida para là, fomos descobrir a nova Biblioteca Municipal onde estava a decorrer uma pequena exposição de fotografia de Artur Pastor.
A Nazaré fora sempre uma fonte de inspiração para os inúmeros fotógrafos que ali passaram como Edouard Boubat, Jean Dieuzaide, Stanley Kubrick.
A nazarena ainda hoje passeia com as suas saias, mais curtas é certo!

Para quem como eu gosta de calças escocesas ou simplesmente dos escoceses para diversas confecções, aqui deixo o contacto deste comércio tradicional que tenta lutar contra a maré dos lanifícios.

Casa dos Escoceses
Praça Dr. Manuel de Arriaga, 16
2450-160 Nazaré
Tel: 262 553 422


Gouache d'Emile Gallois, le Costume en Espagne et au Portugal
Paris, 1935
Edition H. Laurens