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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Recordações de Infância (III)













Houve um tempo em que todas as manhãs atraversava a pé o Jardim das Plantas em Paris.
Ia para a escola.
Todas as manhãs dizia para comigo "um dia heí-de visitar o Muséum e espreitar aquele dinosauro".
Passei à frente dele nessa manhã e sorri.
Gosto de espreitar Paris pelos seus jardins!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Na oficina do Sr. Lúcio









Na difícil arte de escolher um chão de mosaicos hidráulicos, na oficina do provavelmente último artesão em Portugal, empenhado em restaurar os mosaicos hidráulicos do Palácio de Estoi no Algarve, do Liceu Passos Manuel e outros mais...



Fábrica de Mosaicos
Lúcio de Oliveira Zagalo
Zona Industrial
7100-147 Estremoz
Tel: 268 322 488

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Viver o jardim público





Ladeada de gente gira, tinha-me esquecido de quanto era bom viver o jardim público. O jardim encheu-se de famílias, de namorados e de amigos à procura dum pedaço de relva para saborear os raios de sol ou a sombra duma árvore para prolongados lazeres.
Vieram no sábado e voltaram no domingo, para estender a toalha e partilhar um delicioso piquenique. Não fomos os únicos (ver aqui).

A loja está actualizada, com novas trouxas Matongé.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A outra casa





Passaram 10 anos desde a última vez que abrimos a porta da outra casa. A outra casa é a outra história. Uma história no singular. Uma outra casa, num outro campo. Quando ainda vivia em Lisboa e não tinha constituído a minha família.
A outra casa é um reavivar de sonhos, de novos projectos, no plural.
Acreditar nos sonhos!

terça-feira, 16 de março de 2010

Longe vão os tempos...







Umas horas no Porto, enquanto o avião tardava em chegar. Abraçar quem mais esperava.
Ao acaso duma pequena viagem não programada, por entre as ruas da cidade invicta, deparei com uma exposição no Centro Português da Fotografia, onde prometi a mim própria, lá voltar com a M. (por fazer parte do programa escolar de História) para melhor entender o que fora a "Resistência. Da alternativa Republicana à luta contra a Ditadura (1891-1974)".

Longe vão os tempos...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Palheiras





É uma imensa lage, um maciço granítico muito perto de casa onde outrora se fazia a malha, a debulha e secagem dos cereais.
Cultivava-se a aveia, o centeio, a cevada, o milho, o trigo e o linho.
As palheiras, um verdadeiro monumento vivo, permetiam a conservação dos produtos derivados como o feno, as palhas e folhelhos de milho.
Com o pó do milho enchiam-se as almofadas e todos anos eram descosidas para encher de novo como esta almofada que a Natália me mostrou de manhã.



Ao almoço, um esparregado de grelos de nabos, uma variante da receita já publicada aqui.
Um pequeno filme do Tiago Pereira, feito mais à norte e que sabe bem ver e rever.





Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Visita de estudo





Aproveitámos as mini-férias escolares para ter a casa cheia.
Apesar do frio e da chuva, foram didácticas.
Seguimos o ciclo da ovelha bordalesa, a raça ovina da Serra da Estrela que também pasta na nossa aldeia, onde ainda se faz artesanalmente o Queijo da Serra.
E apesar da tosquia ser somente no final de Março, fomos todos, pequenos e grandes, visitar uma fábrica de fiação.
A paleta de cores da lã de Arraiolos é vasta e sonho já com um tapete para casa.
Quanto à lã poveira, fiquei surpreendida por encontrá-la aqui. A mesma lã que um dia saiu da nossa aldeia, das nossas ovelhas!
Amanhã vou para Lisboa aprender a fiar a lã.





segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dia chuvoso... no Porto!







Fui ao encontro do que o Porto tinha de melhor para me oferecer neste dia chuvoso.
Dei de caras com A Vida Portuguesa, num lindo edifício que outrora albergava textéis.
Fui ao encontro da Lopo Xavier, da Ovelha Negra mas foi no Armazém dos Linhos que tive uma conversa muito interessante sobre chitas e as suas origens, enquanto comprava linho puro. Conversa essa que teve de ser interrompida para um delicioso e requintado almoço na excelente companhia da Fernanda.
Não fosse a chuva, o Porto teria tanto para ser fotografado.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O negócio das flores



É uma loja muito pequena numa esquina da Rua Direita, em Viseu. A D. Isaura está aí insatalada há cerca de 7 meses para fazer arranjos florais.
O que chama mais a atenção, são os seus bordados que ornam as paredes daquele cubículo e que estão à disposição dos turistas que por lá passam.
Sentada na cadeira, vai matando o tempo, fazendo croché.
Enquanto o negócio das flores... nem por isso!



Florista Nova Aliança
Isaura Amaral
Rua da Piedade, 11
3500 Viseu

domingo, 6 de setembro de 2009

O regresso

Amanhã de manhã, vamos iniciar o regresso.
O carro vai cheio. Cheio de tralhas do nosso fim-de-semana na Braderie* de Lille, cheio de recordações desta magnífica viagem em família, cheio de boas energias para um regresso em pleno ao novo ano escolar.
Confesso, o carro vai cheio de tecidos, pequenas curiosidades que irei revelar em breve.
Mas ainda temos que percorrer 1.714 km.



* A Braderie de Lille, são 100 km. de vendedores de tudo e mais alguma coisa, nas ruas do centro da cidade, percorrida a pé durante o fim-de-semana por 2 milhões de visitantes vindos do mundo inteiro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Folon





As últimas horas antes de deixar a Bélgica foram passadas na Fondation Folon.
Descobrimos um universo a caminho do sonho e da poesia.
Longe da exposição em 1984 na Galeria 111 em Lisboa, encontramos uma cenografia muito original e interactiva que fascinou as minhas filhas.

Quem se lembra deste genérico?

sábado, 15 de agosto de 2009

Amor à Profissão

São estabelecimentos públicos, lugares comuns como cafés ou restaurantes.
Mas são sobretudo lugares com cunhos e personalidades próprias. Chamo-lhe poesia e amor à profissão.
Fogem à regra dos estereótipos comuns impostos pela sociedade.





O Café Bert de Mirmande já fechou as suas portas devido à idade avançada do Pierre que ao longo de muitos anos foi coleccionando cacos da loiça partida pelos fregueses e com eles, criou lindas mesas de mosaicos.





L'Oiseau sur sa Branche é o café utópico ou se queremos, um restaurante onde transborda a criatividade.
As palavras brotam da ementa, das iguarias e da atmosfera em geral.





Le Claire de la Plume é a fineza da pena da Marquesa de Sévigné recriada num jardim romântico.





Não posso deixar de aqui referir o Saudade, da Mary e do Luís, porque é um pouco disso tudo, a vontade de sonhar bem alto e mostrar o que Portugal também tem do seu melhor. Em Sintra.

L'oiseau sur sa branche
La placette
26400 Saoû - França

Le Clair de la Plume
Place du Mail
26230 Grignan - França

Saudade Vida e Arte do Povo Português
Av. Dr. Miguel Bombarda, 6
2710-590 Sintra - Portugal

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Vale da Velha





Foi palco de paixões, de sonhos, de projectos.
Mas viveu igualmente de discórdias, de partilhas, de abandono. Até hoje.
O Vale da Velha é nome de um lugar. Um belo pedaço de terra. Com vista sobre as serras envolventes.
Seria fácil imaginar a história daquele vale, onde familiares deixaram há muito, rastos de muitos, muitos anos de lavoura.
Os anos foram correndo, as silvas abraçavam a vinha, o olival caprichava com uma folhagem densa, as arvores de fruta envelheciam sem carinho.
Na primavera, o prado tornava-se bucólico com a densidade de cores. A luz era pura, o silêncio convidava ao concerto da natureza.
Mas era no verão, à sombra do carvalho que os amantes se encontravam.
No outono, o vale vestia um tapete de cartuchos deixado por caçadores furtivos.
Ao longo do inverno, o rebanho invadia o mesmo palco, alisando a erva que temia em crescer.
O Vale da Velha deixou de ter estação.
Os sonhos foram-se.
Amo este pedaço de terra no meio do nada.
Quando vejo esta família ou ainda esta, o Vale da Velha devolve-me o sorriso que há muito perdi. E acredito que ainda é bom sonhar em Portugal.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Descobrindo Shanghai





Os dias e as semanas passaram a um ritmo alucinante. A "memória" do dia 4 de Junho obrigou o governo a dificultar os acessos à net, uns dias antes da data e na semana que se lhe seguiu, por isso, não consegui dar notícias.
O que vou deixar aqui são as impressões duma curta estadia num país que vale a pena um dia conhecer.

A C. e eu deixámos para trás tantos sorrisos que nos acolheram, tantas fotos em que os chineses fizeram questão de tirar. Os nossos grandes olhos de europeus foram o maior fascínio.



Tentámos penetrar a cidade, visitando os seus museus, caminhando pelas avenidas infinitas, correndo atrás do metropolitano, mergulhando na poesia dos seus jardins, conscientes que há muito mais para ver.
Uma escapadela em Hangzhou permitiu-nos entrever o céu azul que tanto faz falta a Shanghai.





Tive muitas dificuldades em encontrar algodões tradicionais, não obstante os mercados de tecidos, mas a grande maioria dos chineses têm os olhos postos no futuro. Fazem de nós um povo ainda muito mais pequeno porque a China sendo um país imenso, com imensa gente, absorve com uma velocidade estonteante as novas tecnologias.



Há lugares que vou deixar com saudades. A primeira é sem dúvida a loja da Mina Hu. A simplicidade com a qual me recebeu, num espaço que se quer antes de tudo o coração vivo duma China rural e étnica, contrasta com Shanghai. Foi neste ambiente que descobri tecidos tingidos com folhas da Indigofera e o seu processo de fabrico está amplamente ilustrado num lindo álbum fotográfico.
O segundo lugar prende-se mais com a minha pessoa e com os locais onde eu cresci. Red Town onde me identifiquei muito é o exemplo do reaproveitamento de espaços fabrís reconvertidos em galerias de arte, escritórios, ateliers de pintura, espaços de creatividade na àrea do design industrial ou outros, em corredores onde se multiplicam as esculturas em cada esquina. Lá fora, o espaço verde envolvente é mais uma vez o prolongamento do que estes espaços encerram. A C. e eu vimos a exposição do Alberto Corazón rivalizando com outras galerias de artistas chineses.



Mas para a C. os lugares que mais a marcaram e para citar só dois, foram o Shanghai Ocean Aquarium com os seus 155 metros de tuneis debaixo de água, deixando-nos guiar por um tapete rolante, o que lhe permitiu ver de muito perto a barriga do tubarão ou ainda a foca que durante largos segundos lhe deu uns beijinhos através do vidro.
Teria sido uma grande lacuna se ao deixar Shanghai não tivéssemos ido à loja da barbie. Sobre 6 andares numa das elegantes avenidas da cidade, a C. maravilhou-se com este mundo. Neste espaço, há roupas, SPA, cabeleireiro, passarelas, sessão fotográfica para barbies da idade dela. Também há barbies em ponto pequeno, mas o melhor ainda será espreitar aqui.





Tanto para a C. como para mim, o nosso melhor refúgio foi o jardim. É o espaço de lazer, de descanço, de reflexão, de encontros. Foi nesse lugar que descobrimos o som do pássaro, abstraíndo o som da urbe. É impressionante quando entramos num jardim, descobrirmos o silêncio da cidade.





Shanghai está em obras. Uma obra é sinónimo de progresso. Daqui a um ano, Shanghai será palco da Exposição Universal 2010. O pequeno Hai Bao (que significa pequena onda) é anunciado em toda a parte, em todos os lugares. Será a oportunidade para muitos conhecerem esta cidade que hoje alberga 18 milhões de habitantes.

Por último, quero agradecer aos meus amigos a possibilidade que nos deram de poder fazer esta magnífica viagem. Sem esse convite, não teríamos a possibilidade de entrar na China. Sem eles, nada teria sido possível.
Apercebi-me que a informação sobre a China muitas das vezes nos vem deturpada por ambos os lados, mas Peter Hessler escreveu um livro, uma referência marcante cujo o título China, convido à leitura, para melhor compreensão deste imenso país com um povo, uma cultura, uma civilização, que temos todo o interesse em conhecer, compreender e respeitar.





Bem hajas à C., ao Z. e ao S.

...

Partilhar entre tantos outros lugares de Shanghai o famoso e muito bonito restaurante Shintori com uma cozinha "Fusão".

Da cabeça aos pés, falo sobretudo dos sapatos na Suzhou Cobblers. Lindos!