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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Extraterrestres







Era o encontro previsível de quem, na praia dos meus 15 anos, não voltaria a ver o amigo visto pela última vez, há agora mais de 20 anos.

Ele chegou com um livro debaixo do braço. Na minha toalha “L’Art de la Joie” de Goliarda Sapienza, nem pode rivalizar com o seu “Your First Contact” de Sheldan Nidle.
Astucioso, para quem não sabia talvez iniciar uma conversa que fora interrompida há tantos anos, mas a tentativa de introduzir a possível vida de extraterrestres irritou-me.
Atrapalhada, disfarçando, rematei com um “não acredito em extraterrestres”, acabando assim uma conversa que mal se iniciava.
Não gosto desta palavra. Soa-me muito mal. Reconheço o meu preconceito à volta do extraterrestre, imaginário meu, povoado de imagens e sobretudo influenciada pelos filmes do continente norte americano de ficção científica como “2001: Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick mas sobretudo desta magnífica transmissão radiofónica, no ano de 1938, intitulada “The War of the Worlds” produzida pelo Orson Welles a partir da obra do Herbert George Wells.
Preferia falar da possível vida noutras galáxias , a qual não tem que ser necessariamente igual a nossa.
Preferia falar da vida da Modesta (protagonista do livro que acabo de ler), não sendo forçosamente igual à minha, mas que inspira e faz reflectir, sobre a vida ao longo de várias décadas, pautada pelas duas grandes guerras num ambiente totalmente siciliano.

Afastada na sua toalha, a M. para se distrair, devora os diálogos humorísticos de “As Lições do Tonecas” de José de Oliveira Cosme.

“Professor – Bem agora diga-me: o menino já tem visto as estrelas, não é verdade?
Tonecas – Se tenho, senhor professor! Lá neste ponto o meu papá encarrega-se de me ensinar Astronomia...
Professor – Mau! Eu refiro-me às estrelas do firmamento...
Tonecas – Ah! Essas também já tenho visto!
Professor – Muito bem. Ora, quando o menino vai de noite para a rua e se põe a olhar para um grupo de estrelas, pode dizer que está a ver---
Tonecas – Estou a ver...
Professor – Vamos! Uma cons...
Tonecas – Ah! Já sei: estou a ver uma constipação não tarda muito!...”

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Voar para Sul





Levo pouca coisa ou nada.
Até mais tarde!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Trip to London







Foi uma surpresa.
Agradável, como um chocolate na boca, entusiasmante, como um bolo de chocolate enorme de tamanho XXL e sentimentos esquisitos como borboletas na minha barriga.
Hyde Park. British Museum. Tower Bridge. London Eye. Houses of Parliament. Buckingham Palace... como sabores misturados. O barulho das águas poluídas do rio Tamisa, o tocar das horas passadas, controladas pelo exuberante Big Ben, a sinfonia musical da troca de guardas reais, exibindo as fardas.
Madame Tussauds e as suas celebridades de cera, Brad Pitt (aiii), Miley Cyrus (ehhh), Kesha (tik tok), Nicole Kidman (yess!), Bob Marley (no women no cry!).

Adorava viver em Londres. Relembro ainda os hipnotizantes zumbidos que repetiam de 2 em 2 minutos: "Please mind the gap between the train and the platform".


Impressões duma viagem a Londres, pela M.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tudo em família



Andamos por aí a tirar fotografias. Até já!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Visita de estudo





Aproveitámos as mini-férias escolares para ter a casa cheia.
Apesar do frio e da chuva, foram didácticas.
Seguimos o ciclo da ovelha bordalesa, a raça ovina da Serra da Estrela que também pasta na nossa aldeia, onde ainda se faz artesanalmente o Queijo da Serra.
E apesar da tosquia ser somente no final de Março, fomos todos, pequenos e grandes, visitar uma fábrica de fiação.
A paleta de cores da lã de Arraiolos é vasta e sonho já com um tapete para casa.
Quanto à lã poveira, fiquei surpreendida por encontrá-la aqui. A mesma lã que um dia saiu da nossa aldeia, das nossas ovelhas!
Amanhã vou para Lisboa aprender a fiar a lã.





segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

De madrugada

Já perto da fronteira, quando esfregavam os olhos, perguntaram: "já chegamos?".



domingo, 20 de dezembro de 2009

1500 km depois

Para encontrar um magnífico quadro natalício.









quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Em casa

Chegamos ontem.
Houve uma necessidade natural de reconhecimento do lugar.
O pai delas precipitou-se na correspondencia, elas foram de imediato inspeccionar os seus quartos.
As malas foram lentamente retiradas do carro.
Á volta da casa, os prados estão queimados de tanto sol. O ar abafa. Há que regar, colher o que a horta ainda tem para oferecer.





Os mapas estão fechados e arrumados.
Aprendeu-se um pouco mais sobre geografia.
Dos 7.788km. percorridos, cada vez que passávamos por uma portagem, a J. perguntava em que país entrávamos.
A maior alegria, foi quando em conta decrescente passámos a fronteira portuguesa sem parar.

Acabei as meias. Vêm agora novos desafios.

domingo, 6 de setembro de 2009

O regresso

Amanhã de manhã, vamos iniciar o regresso.
O carro vai cheio. Cheio de tralhas do nosso fim-de-semana na Braderie* de Lille, cheio de recordações desta magnífica viagem em família, cheio de boas energias para um regresso em pleno ao novo ano escolar.
Confesso, o carro vai cheio de tecidos, pequenas curiosidades que irei revelar em breve.
Mas ainda temos que percorrer 1.714 km.



* A Braderie de Lille, são 100 km. de vendedores de tudo e mais alguma coisa, nas ruas do centro da cidade, percorrida a pé durante o fim-de-semana por 2 milhões de visitantes vindos do mundo inteiro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Folon





As últimas horas antes de deixar a Bélgica foram passadas na Fondation Folon.
Descobrimos um universo a caminho do sonho e da poesia.
Longe da exposição em 1984 na Galeria 111 em Lisboa, encontramos uma cenografia muito original e interactiva que fascinou as minhas filhas.

Quem se lembra deste genérico?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Promessas







Após a ascensão ao topo da Tour Eiffel, senti-me liberta. O meu compromisso em relação às promessas com as minhas filhas, estava nesse preciso momento saldado.
Há dois anos quando vimos a J. ir-se abaixo fizemos a promessa de realizar o sonho dela, se ultrapassasse os traumas.
Durante um dia, fizemos as filas de horas de espera para escassos momentos de alegria. Ela saíu ao fim do dia radiante e nós, arrasados!
Houve outras promessas como subir à Notre Dame para quebrar os tabus que povoam o imaginário delas. Ver as "chimères" ou o "gros bourdon" foi como reviver a vida do Quasimodo.

Estas férias não só serviram para a concretização das promessas, como também para oferecer o efeito da surpresa.
Numa viagem relâmpago a Amsterdam, a M. realizou o desejo de um dia visitar a casa de Anne Frank, livro que quiz ler este Verão e para o qual tivemos de a preparar, sobretudo do ponto de vista histórico.
Achava-a muito nova ainda para entrar neste capítulo da história, ela provou o contrário.

Mais do que a promessa em si, é saber que somos capazes um dia de cumpri-la e mostrar às crianças a importância de manter a palavra, o nosso compromisso e a realização dos nossos sonhos.



O diário de Anne Frank
Livros do Brasil, 2009

domingo, 30 de agosto de 2009

As meias do Báltico





O sol acompanha-nos.
No jardim, os amigos aparecem, os filhos brincam, mascaram-se e fazem representações teatrais.
Para as crianças belgas, este é o último fim-de-semana antes do regresso à escola.

Acabei a primeira meia. As outras meias são da minha amiga M., cuja avó as tricotou no norte da Alemanha, nas margens do Mar Báltico. Algumas têm mais de 10 anos e a lã é exactamente igual a estas. E por mais incrível que seja, usamos o mesmo método.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Recordações de Infância (II)







Chegámos a Paris para um curto regresso ao meu passado.
Para as minhas filhas é ter enfim uma imagem real sobre tantas histórias que vou contando sobre a minha infância.
O ponto alto foi quando hoje de manhã, a directora da escola primária me abriu as portas do estabelecimento e pude, em família, partilhar os cantos de algumas salas de aulas, apesar das modificações feitas ao longo de tantos anos. Esperava encontrar o magnifico fresco no tecto que alimentava o meu imaginário, na mesma sala onde, com a pena e a tinta da china, exercitava o francês, mas o fresco foi leiloado para angariar fundos para o alargamento e manutenção da pequena escola.

Apesar de tudo, os pormenores mantêm-se e para elas os tabus foram quebrados, embora a magia se mantenha.





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Entre céu e terra

Deixámos o Sul de França, rumo à Burgonha.



Abraçar os amigos e descobrir outros horizontes.
L'Espérance (a Esperança) é o nome dum lugar composto por cinco casas. Um oásis no meio dos campos agrícolas.
L'Espérance é a realização do sonho, o regresso à terra, ter a noção das estações, ter tempo, tempo para tudo, tempo para nada, o usufruto do tempo.







Para as crianças, são novas aventuras no paladar e o prazer de ir até à quinta vizinha buscar o leite ordenhado das tetas da vaca.
Correr pelos campos, sentir debaixo dos pés o trigo cortado, o calor da terra.



sábado, 15 de agosto de 2009

Amor à Profissão

São estabelecimentos públicos, lugares comuns como cafés ou restaurantes.
Mas são sobretudo lugares com cunhos e personalidades próprias. Chamo-lhe poesia e amor à profissão.
Fogem à regra dos estereótipos comuns impostos pela sociedade.





O Café Bert de Mirmande já fechou as suas portas devido à idade avançada do Pierre que ao longo de muitos anos foi coleccionando cacos da loiça partida pelos fregueses e com eles, criou lindas mesas de mosaicos.





L'Oiseau sur sa Branche é o café utópico ou se queremos, um restaurante onde transborda a criatividade.
As palavras brotam da ementa, das iguarias e da atmosfera em geral.





Le Claire de la Plume é a fineza da pena da Marquesa de Sévigné recriada num jardim romântico.





Não posso deixar de aqui referir o Saudade, da Mary e do Luís, porque é um pouco disso tudo, a vontade de sonhar bem alto e mostrar o que Portugal também tem do seu melhor. Em Sintra.

L'oiseau sur sa branche
La placette
26400 Saoû - França

Le Clair de la Plume
Place du Mail
26230 Grignan - França

Saudade Vida e Arte do Povo Português
Av. Dr. Miguel Bombarda, 6
2710-590 Sintra - Portugal